Amelia Toledo e
Eleonore Koch

Ribeirão Preto

Abertura:
02 de julho, 2026 / 15h–20h

Período de visitação:
02 de julho a 01 de agosto de 2026

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, entre 2 de julho e 1 de agosto de 2026, a exposição Amelia Toledo e Eleonore Koch, que propõe um diálogo entre obras de duas artistas pertencentes a uma mesma geração e que dedicaram um olhar atento às paisagens exteriores e interiores por meio de diferentes formalizações. A exposição reúne, de Amelia Toledo, as séries Horizontes (1990–2017), Impulso (2000–2015) e Campos de cor (1988); e de Eleonore Koch, seu Caderno de Desenhos (1950–1960), além de guaches produzidos na década de 1990 e um conjunto de desenhos em grafite realizados entre as décadas de 1970 e 1980.

A poética de Eleonore Koch é marcada pela construção de um universo silencioso e contemplativo, no qual objetos cotidianos, jardins, paisagens e interiores domésticos são transformados em composições de rigor formal e cromático. Suas pinturas revelam uma investigação sobre as relações entre cor, forma e espaço, evidenciada tanto pelos amplos campos cromáticos, quanto pela aparente simplicidade de seus motivos. Ao mesmo tempo em que dialoga com a tradição moderna por meio da estrutura geométrica e da organização ortogonal dos elementos, Koch subverte as convenções da perspectiva, permitindo que objetos flutuem no espaço ou que superfícies sejam reduzidas a planos de cor. Essa liberdade construtiva produz imagens que oscilam entre a representação e a abstração, conferindo às cenas uma atmosfera de suspensão temporal e introspecção.

Os cadernos de desenhos produzidos pela artista desempenham papel fundamental na compreensão de seu processo criativo. Neles, Koch registrava estudos preliminares para suas composições, explorando diferentes arranjos espaciais, proporções e relações geométricas entre os elementos. Esses cadernos também reuniam anotações sobre indicações cromáticas e experimentações materiais que posteriormente seriam desenvolvidas em pinturas, pastéis e colagens. Por meio de testes realizados com lápis grafite, Koch investigava contrastes tonais, equilíbrios de luz e sombra e a estrutura linear das imagens, demonstrando que sua pesquisa não se restringia à cor, mas envolvia igualmente uma reflexão sobre desenho, composição e ritmo visual. Assim, seus cadernos constituem não apenas registros de trabalho, mas espaços de elaboração poética.

Amelia Toledo desenvolveu, ao longo de mais de cinco décadas, uma investigação voltada para a percepção, a materialidade e a relação entre corpo, espaço e natureza, aproximando materiais industriais e elementos orgânicos e questionando a separação entre natureza e cultura. Transitando entre o rigor formal e a intuição, a artista concebia a obra de arte como um campo de experimentação capaz de mobilizar outros sentidos além da visão, convidando o observador a estabelecer uma relação ativa com o espaço.

A série Horizontes, iniciada na década de 1990, integra essa pesquisa ao investigar a paisagem por meio da redução dos seus elementos essenciais. As pinturas são compostas por duas faixas de cores que ocupam metades da tela e se encontram em uma linha que evoca o horizonte, entendido pela artista como "o limite de ser ou deixar de ser" , um espaço de transição e suspensão. O sutil contraste entre tonalidades próximas produz uma vibração que transforma a superfície pictórica em uma experiência perceptiva, convidando o olhar a ultrapassar a representação da paisagem e refletir sobre os limites entre presença e ausência.

Os cadernos de desenhos de Eleonore Koch e a série Horizontes, de Amelia Toledo, aproximam-se por compreenderem a pintura e o desenho como campos de investigação da percepção, no qual a economia de elementos amplia a intensidade da experiência visual. Enquanto Koch utiliza o desenho como espaço de elaboração de relações entre forma, cor, proporção e organização espacial, revelando um processo de construção atento ao equilíbrio e ao ritmo da composição, Toledo reduz a paisagem ao encontro entre dois campos cromáticos, deslocando o interesse da representação para a experiência sensível da cor e do espaço. Assim, embora partam de procedimentos distintos, as duas artistas compartilham uma investigação sobre os modos de organizar a representação de paisagens, sejam elas exteriores ou interiores.