Yamamoto Masao
(com expografia de Sakae Ishii)
São Paulo
Abertura:
01 de agosto / 11h–16h
Período de visitação:
01 de agosto – 19 de setembro, 2026
A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, entre 1º de agosto e 19 de setembro de 2026, a exposição individual de Yamamoto Masao (Gamagori - Japão, 1957). A mostra se organiza ao redor da ideia de Ma (間), um conceito estético e filosófico japonês que descreve a pausa e o intervalo significativo entre espaços, objetos, sons, movimentos e acontecimentos e que entende o vazio como um elemento ativo que dá forma, ritmo e significado a experiência. A expografia conta com o apoio da arquiteta e paisagista Sakae Ishii.
A exposição reúne fotografias, fotolivros e caixas-poemas produzidos ao longo de mais de três décadas de trajetória de Yamamoto Masao, contemplando trabalhos das séries A Box of Ku, Nakazora, Kawa=Flow, Shizuka=Cleanse e Bonsai – Microcosms Macrocosms, desenvolvidas entre o início da década de 1990 e os anos recentes. É a partir da poética de Yamamoto que Sakae Ishii concebe sua colaboração, trazendo ao espaço da galeria bancos de pedra e placas de granito rosa, remetendo o espectador a um espaço de descanso. “O silêncio, o intervalo e o vazio servem também para criar distâncias entre as coisas, tornando-as mais nítidas ao olhar”, afirma Ishii.
Em Shizuka = Cleanse (2012), Yamamoto se afasta da ideia de fotografar paisagens e passa a concentrar seu olhar em pequenos elementos encontrados durante suas caminhadas pela floresta. Pedras, raízes, galhos e outros fragmentos da natureza são fotografados isoladamente sobre um fundo negro profundo, transformando-se em presenças quase escultóricas.
Em Bonsai – Microcosms Macrocosms, iniciada em 2018 a partir dos registros dos bonsais cultivados por Minoru Akiyama, o mais jovem mestre da arte do bonsai a receber o Prêmio do Primeiro-Ministro do Japão, Yamamoto busca compreender o simbolismo dessa prática secular, concebida como uma colaboração entre a ação humana e a vegetal. Em suas imagens, os bonsais deixam de ser plantas em miniatura para se tornarem paisagens condensadas, capazes de transformar a atmosfera do espaço ao seu redor e despertar uma experiência contemplativa.
Além das fotografias, a exposição apresenta diferentes formatos editoriais desenvolvidos pelo artista ao longo de sua carreira, como os livros em sanfona e as caixas-poemas da série Ryokan. Cada uma dessas caixas abriga cerca de seis pequenas fotografias acompanhadas por um haiku do poeta e monge zen-budista Ryōkan (1758–1831). Dispostas em vitrines, elas revelam um diálogo íntimo entre palavra e imagem, propondo ao visitante uma leitura pausada e fragmentária. Os livros, por sua vez, são apresentados abertos, permitindo que todas as fotografias sejam vistas simultaneamente.
Para Yamamoto, esses suportes constituem também espaços expositivos, nos quais a experiência da fotografia envolve não apenas a imagem, mas sua materialidade: as bordas desgastadas do papel, as marcas do tempo, a textura da impressão e a escala reduzida reforçam o caráter íntimo de sua produção. Muitas fotografias são manipuladas manualmente, tingidas, desgastadas ou marcadas pelas mãos do artista, adquirindo uma aparência próxima à de pequenos relicários. Yamamoto enfatiza o envelhecimento e a impermanência como qualidades inerentes tanto às imagens quanto à própria experiência da vida.
Ao aproximar as fotografias de Yamamoto da intervenção concebida por Ishii, a exposição evidencia o Ma (間) como um princípio que organiza tanto a composição visual quanto a experiência espacial do visitante, fazendo com que os intervalos, as pausas e os vazios assumam um papel estruturante na percepção da obra.
A Galeria Marcelo Guarnieri agradece a colaboração de Sakae Ishii, cuja generosidade transcende esta exposição e se insere em uma relação de amizade, diálogo e troca cultivada ao longo de anos.